A Maratona de Boston é para todos?
Somente em 1970, na sua 74ª edição, a Maratona de Boston passou a exigir o temido “qualify”, na época em 4 horas. O formulário de inscrição ainda indicava: this is [...]
Somente em 1970, na sua 74ª edição, a Maratona de Boston passou a exigir o temido “qualify”, na época em 4 horas. O formulário de inscrição ainda indicava: this is not a jogging race. Depois, o tempo passou para 3h30, de 1972 a 1976.
O “qualify” foi instituído com o objetivo de limitar o número de participantes, pois acreditava-se que mais de 1.000 corredores poderiam congestionar o percurso e atrapalhar a qualidade do evento.
Com o boom das corridas nos Estados Unidos, de 1977 a 1979, ainda com o intuito de controlar o número de participantes, o qualify foi ajustado para 3 horas para a faixa de 19 a 39 anos, 3h30 para 40 anos em diante e 3h05 para as mulheres. A partir de 1981, as faixas etárias foram ampliadas e os tempos do qualify reduzidos gradativamente.
Ainda assim, o número de participantes crescia a cada ano, aumentando o prestígio e o desejo de participar, chegando a 10.000 corredores em 1989.
Em 1996, a histórica 100ª edição não exigiu qualify. Agências de turismo credenciadas passaram a oferecer pacotes com inscrição garantida e hospedagem, e 35.868 corredores completaram a prova — o maior número de concluintes, até então, na história das maratonas.
Quem não aproveitou a festa perdeu a chance, já que o qualify retornou no ano seguinte ao centenário, assim como os ajustes nos tempos de qualificação por faixa etária, para o limite de 20.000 participantes, com a criação, em 2006, das largadas em duas ondas e a utilização do tempo líquido pelo chip.
Assim como hoje, os corredores seguiram se preparando cada vez mais para se qualificarem e, em 2012, iniciou-se o ainda mais temido cut-off, que deixou fora da prova 3.228 qualificados. Em 2025, tivemos o recorde de 12.324 corredores qualificados que não conseguiram se inscrever para a sonhada maratona.
Mas a Maratona de Boston passou a oferecer inscrições garantidas, embora em número menor que a grande procura, por meio das Agências de Viagens (ITP) e do Charity Program, sobretudo após a criação do circuito das World Marathon Majors (WMM).
E, para permitir uma experiência aos moradores da cidade e acompanhantes, desde 2006 temos a prova de 5 km, que, neste ano, teve a mesma linha de chegada da maratona — e as 10 mil inscrições foram preenchidas pelo site da prova em menos de 10 minutos.



Corri a Maratona de Boston pela 4ª vez em 2025, com inscrição garantida pela Kamel Turismo. Larguei na 4ª e última onda e observei um perfil semelhante aos meus “colegas de curral”: gordinhos e muitos com o BIB nas costas indicando que esta seria a prova em que ganhariam a desejada mandala das WMM.



Muitos corriam com a camiseta de uma das 174 instituições de caridade e estima-se que estes pagaram, no mínimo, 10.000 dólares pela inscrição, arrecadando mais de 50 milhões de dólares revertidos para organizações sem fins lucrativos.
Logo que comecei a correr, escutei de um voluntário: “Onda 4 — a mais alegre!”. Gostei do que ouvi e percebi que a tensão pelo Boston Qualify ou pelo Personal Record foi substituída apenas pela necessidade de completar a prova dentro de 6h15 para garantir a classificação, em um total de 31.670 concluintes.
Entretanto, mesmo com o cronômetro desligado, aqueles que atravessaram a icônica linha de chegada na Boylston Street também receberam suas medalhas com a mesma atenção e carinho.
Afinal, todos que ali estiveram mereceram a alegria e a incrível emoção de completar a Maratona de Boston.