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Buenos Aires revisitada: uma maratona que surpreendeu nove anos depois

Há nove anos, corri a Maratona de Buenos Aires e confesso que não tinha achado nada especial. Durante anos escutei a “brasileirada” elogiando a prova, que a cada edição levava [...]

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Há nove anos, corri a Maratona de Buenos Aires e confesso que não tinha achado nada especial. Durante anos escutei a “brasileirada” elogiando a prova, que a cada edição levava mais corredores e crescia em número de participantes.

Resolvi correr novamente este ano, motivada pelo Circuito Mega Finisher, que premiará com uma mandala (estou mesmo precisando de mais uma, né?) os corredores que completarem as maratonas ou meias maratonas nas capitais sul-americanas: Assunção, Buenos Aires, Brasília, Lima e Montevidéu (www.megafinisher.com.br).

Se as passagens forem compradas com antecedência, é possível encontrar bons preços para Buenos Aires graças à ampla oferta de voos da Latam e Gol, além das internacionais British Airways, Emirates, Aerolíneas Argentinas, Ethiopian, Turkish Airlines e das empresas “low cost” (mas não tão baratas assim) JetSmart e Flybondi.

As inscrições, por 90 dólares, podiam ser feitas facilmente pelo site da prova — www.maratondebuenosaires.com — com o anúncio: “La carrera más rápida de Latinoamérica. Desde 1984, uno de los maratones más grandes a nivel mundial.”

A entrega dos kits, no Parque Sarmiento, funcionou somente na sexta-feira, das 12h às 20h, e no sábado, das 10h às 18h.
O kit trazia uma regata da Adidas, uma sacola de TNT com a logo dos 40 anos da prova, o famoso alfajor de chocolate, um gel de carboidrato (que não foi oferecido no percurso), balas e torrone (sim, lá também tem — embora os da Maratona de SP e da São Silvestre sejam mais gostosos).

A Expo tinha uma loja da Adidas, patrocinadora da prova, mas, infelizmente, sem itens alusivos ao evento. Um estande da prova vendia caneca, boné, camiseta, moletom com capuz, jaqueta e camisetas de anos anteriores.

Outros estandes ofereciam suplementos, roupas, mochilas de hidratação, meias e até passeios turísticos pela cidade. Um estande do Circuito Mega Finisher divulgava o evento e exibia as belas mandalas de 42 km e 21 km.

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A largada e a chegada aconteceram no mesmo local, na Av. Figueroa Alcorta, 7000, no bairro de Belgrano, às 7h, facilitando bastante para os corredores e seus acompanhantes.

Eu e meu marido, Luiz Antonio, nos hospedamos no Hotel Urbanica, a 2,5 km do local da prova, que ofereceu café da manhã a partir das 5h para os maratonistas. Outra opção seria o Hotel Pampa Plaza, a 1 km da largada.

Buenos Aires é repleta de parques, muito arborizada, e o percurso da maratona é praticamente um city tour pela cidade. Passamos correndo pelos bosques de Palermo — considerado o pulmão da cidade — pelo bairro da Recoleta, ao lado da Casa Rosada (sede do governo), pela Catedral e Plaza de Mayo, pelo turístico bairro de San Telmo, pelos estádios do Boca Juniors (La Bombonera) e do River Plate (Estádio Monumental de Núñez), além do sofisticado bairro de Puerto Madero.

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Corremos por avenidas larguíssimas, com oito e até doze faixas, como as famosas Avenidas Libertador e 9 de Julio. Passamos em frente à Embaixada do Brasil e seguimos até o Obelisco, onde havia uma tenda da prova com um cantor de terno risca de giz e um casal de bailarinos de tango.


O percurso teve três viadutos, com subidas curtas e descidas mais longas, e pouquíssimo público — presente basicamente nos três pontos com DJs e na chegada. Houve dois pontos com banana e postos de água em garrafas de 500 ml, além de Gatorade, servido em copos plásticos abertos.

A prova começou com 19 °C — para tristeza dos brasileiros que esperavam temperaturas mais baixas — e terminou com 22 °C e céu nublado.

Os últimos quilômetros, margeando o Rio da Prata, passando sob viadutos e pelo aeroporto Aeroparque, foram monótonos e desafiadores, depois de tantos parques e pontos turísticos belíssimos ao longo do percurso.

Ao passarmos novamente pelo estádio do River Plate, já estávamos no km 40, de volta à avenida da largada.

Na chegada, havia várias tendas de assessorias de corrida, um bom público e uma bonita medalha em formato de sol — como na bandeira argentina — criada após um concurso, além da tradicional banana.

Completaram a prova 12.817 maratonistas (8.813 homens e 4.004 mulheres), mantendo Buenos Aires à frente da Maratona do Rio, que teve 9.328 concluintes em 2024.

O vencedor foi o queniano Bethwell Yegon, com 2:09:04, seguido pelos compatriotas Saiba Emmanuel Kipkemboi, com 2:09:16, e Eliasa Kibet, com 2:11:36.

No feminino, a etíope Yenenesh Dinkesa venceu com 2:27:15, seguida pelas quenianas Rodah Jepkorir Tanui (2:28:56) e Caroline Jepchirchir (2:30:23).

Volto de Buenos Aires com uma belíssima impressão: ruas limpas, sensação de segurança, parques e praças lindos, o delicioso ojo de bife — e, principalmente, a alegria de encontrar amigos corredores.

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